Iluminattis - Centro de Estudos Filosóficos - www.iluminattis.com.br - número 04 - ano 01 - setembro/outubro 2005
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Desarmamento Interior



Para que as campanhas de desarmamento possam efetivamente ser positivas, devemos refletir sobre o impulso que gera a violência. As armas em si não são violentas, pois não agem sozinhas. As diferenças sociais gritantes, a intolerância, o preconceito, a impaciência, a injustiça, e a inflexibilidade são fatores que dificultam o diálogo e o respeito mútuo.
Para sanar esse abismo entre as pessoas é importante discernir entre o ato violento e o ser, pois primeiramente, a pessoa é violenta consigo mesma, em seguida exterioriza seus sentimentos num ato impulsivo, reagindo segundo suas estruturas.
Partindo do princípio de que a paz interior é o primeiro passo para criar a paz exterior, devemos nos esforçar no intuito de controlar nosso próprio impulso de violência e criar um compromisso interno neste sentido é fundamental.
Esta é uma conquista diária, devemos utilizar nossa energia de forma construtiva e responsável, assim poderemos mudar o nosso presente e acreditar que as nuvens que cobrem o futuro de desesperança e sofrimento possam ser dissipadas. Mas para isso devemos tomar uma atitude séria e responsável, fazendo nossa parte, mudando a nós mesmos, pois não podemos esperar que outros façam isto por nós.
Um dos elementos fundamentais para a criação de uma cultura de paz é a Educação, estudos mostram que as comunidades que se organizaram com atividades de cultura, esporte, arte e lazer tornaram-se mais eficazes no combate à violência e a diminuição do consumo de drogas.
Vários projetos já mostraram resultados muito positivos gerando empregos e criando a possibilidade de um futuro, longe da marginalidade e do abandono, integrando as pessoas na sociedade de forma positiva e produtiva.
Para isso não devemos apenas nos desarmar materialmente. A violência legítima geralmente está oculta no ato de sua expressão. Com o corpo e a alma desarmada poderemos melhor analisar a raiz ou o órgão gerador onde é criada toda a violência. Analisado e
entendido este processo podemos encontrar outras maneiras de exteriorizar toda esta força ou energia acumulada.
Através de ações diárias podemos Cultivar uma Cultura de Paz onde cada minuto é uma vitória e a cada ato não-violento todos somos beneficiados.
O triunfo mundial de uma Cultura de Paz depende exclusivamente da conquista, reconhecimento e aceitação dos nossos limites interiores.


Regina Proença
Tradutora, professora, graduada em Filosofia,
integra o programa de “Multiplicadores em Ética”
da Associação Palas Athena - SP.

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