Cordel da Paz
por Medeiros Braga

Ofereço o meu cordel
E todos meus ideais
A um grupo que persiste
Na sua ARTE PELA PAZ!
A PAZ
Também faz parte da paz,
É urgente e é necessária
Que o campo passe eficaz
Por uma reforma agrária”
Estamos em plena guerra!...
Várias batalhas perdidas.
Quer na cidade ou na serra
Ceifadas são muitas vidas.
Tentativas incontidas
Do povo rogando a paz
Com o fim dessas empreitas,
São elas, constantes, feitas...
E o crime crescendo mais.
Morre gente a cada instante
Que sai de casa ao trabalho
Ou no retorno estafante
Depois de mover seu malho.
Morre o pobre sem agasalho
De segurança, ao penar...
Se somando a tantos mil
Ele que não conseguiu
Voltar com vida ao seu lar.
Morrem o jovem e a criança,
Morrem os idosos também,
Morre o próprio segurança
Dentro de ônibus e de trem.
Já não se poupa ninguém.
Até mesmo os policiais,
Na guarda dos seus quartéis,
São assaltados, ao revés,
Por ousados marginais.
Os militares se equipam
Com modernos armamentos
E com eles se capacitam
Pra todos enfrentamentos.
Mas, os crimes violentos
Vão crescendo, e em crueldade,
Porque, de arma e instrução,
As gangs avançam, então,
Com bem mais velocidade.
Há um governo paralelo
Que desafia o legal,
Quando quer bate o martelo,
Sobrepõe-se ao federal.
Até bairro comercial
Tem fechado ao bel-prazer..
Dominando o que bem traça,
É no fundo uma ameaça
Pra tomada de poder.
Porém, o povo na praça,
Cheio de tanta aflição,
Com muita vontade e raça
Que é própria em mutirão,
Quer mudar a situação...
Quer, em gestos fraternais,
Implantar, de modo augusto,
Um clima sensato e justo
De liberdade e de paz!
Mas, não são faixa, clamor
E até mesmo a caminhada
Para a inversão de valor
Que deve ser implantada.
Seus resultados são nada,
São pregações no deserto.
Só o povo conscientizado,
Destemido e organizado
Tomará o rumo certo.
Só mesmo com a educação
Política de todo povo
Pode vencer-se o estorvo
Que motiva sua aflição.
Já que a conscientização
Sendo os olhos do saber
Vai indicar com clareza
Que a solução com certeza
Vem de dentro do poder.
Vai ela mostrar as causas
Da mais insana contenda;
E que o que mais atrasa
É a concentração da renda.
Distribui-la é a prenda
Que trará mais condição
Pra geração de emprego,
De confiança e sossego
Ao ter todos roupa e pão.
Tão-somente com emprego,
Dando ao homem a ocupação,
Tornará todo ele meigo
Na tarefa, em execução,
Da família ou produção.
Só mesmo com a geração
De emprego, renda, valor
Vai a paz se sobrepor
A qualquer danosa ação.
Também faz parte da paz,
É urgente e é necessária,
Que o campo passe eficaz
Por uma reforma agrária.
Com ela a classe operária
Terá mais tranqüilidade
Por sua dupla função
De aumentar a produção,
De desinchar a cidade.
Sem uma reforma agrária
O mal vai continuar,
Toda condição precária
Urbana vai se agravar...
Não se podendo evitar
O aumento da violência,
Da falta de moradia,
E do emprego – primazia
Vital da sobrevivência.
São importantes os apelos,
Individuais ou em mutirão,
No uso dos mais singelos
Instrumentos de educação
Que combatem a agressão
Como a violência à ecologia,
O desrespeito à natureza,
E a cultura da rudeza
Passada à infância em família.
É imprescindível o que apraz
No lar, na escola, ao vivente.
A psicologia da paz
Deve estar em cada mente.
Mas, porém, principalmente,
Sem a distribuição da terra
E sem a distribuição da renda
Jamais teremos a prenda
De ver o fim dessa guerra.
Não adianta só aparatos
De modernos armamentos
Pra por fim a assassinatos,
Tornar menos violentos.
Nem só os procedimentos
Do povo clamando paz...
Mas, sim, sempre atuante
Cobrando do governante
Ação concreta, eficaz.
A questão do banditismo
Não irá ter um final
Conotadas no simplismo
De uma ação policial.
Ela é excepcional.
Requer mais reflexão.
Envolve a ideologia
Política, a economia
E o apoio da educação.
Requer uma reflexão
Desse sistema perverso
Que tem a preocupação
Trazido a todo universo.
O capitalismo egresso
Dos modelos imperiais
Pra toda frágil nação,
Dificulta a implantação
Do estágio ideal de paz.
Vamos todos nos unir,
Pois, é esta a solução,
Pra podermos exigir,
Sem temor, embromação
Que é a prática da nação,
Toda medida eficaz
Que traga de imediato,
No combate ao assassinato,
Uma esperança de paz.
Chega, pois, de paliativo
Que não mais se recomenda...
Um ataque mais ofensivo
Deve haver nessa contenda
Que é distribuir a renda
E a terra em níveis iguais.
Pra que todos, sem recear,
Livres, possam trabalhar,
Sorrir e viver em paz!