Respirar é Viver
por Heloísa Nardi
Não há vida sem a respiração. Nosso primeiro ato ao nascer é uma profunda inspiração fazendo o ar inflar os pulmões e nesse instante começa a vida.
O moribundo exala, expele num suspiro seu alento deixando de respirar e sua vida se extingue.
Podemos dizer que a respiração é a função mais importante de nosso corpo porque dela dependem todas as outras. Uma parada respiratória pode ocasionar graves seqüelas no cérebro.
O bebê ao nascer respira corre-tamente mas com o passar do tempo vai adquirindo hábitos que o levam a respirar erradamente.
Mas em que consiste a respiração?
Consiste na aspiração do ar que entrando pelo nariz, onde se aquece em contato com as mucosas, e percorrendo a faringe, laringe e traquéia penetra nos pulmões se espalhando pelos brônquios onde através dos alvéolos entrará em contato com o sangue, cuja hemoglobina prenderá o oxigênio que será levado à todas as células do corpo onde realizará reações de combustão de nutrientes como glicose, gordura, etc...
Desta reação de combustão resulta gás carbônico CO2 e calor (energia). A energia liberada é usada para a execução de trabalhos e aquecimento do corpo e o CO2 é levado pela hemoglobina do sangue de volta para o pulmão onde novamente trocará de lugar com o O2 e será expelido pela expiração. Oque faz o pulmão aspirar o ar e expelir CO2, é o movimento do diafragma, músculo que separa o tórax do abdomem. Por isso para efetuarmos uma inspiração profunda nosso abdomem se dilata, se expande pela pressão do diafragma que se abaixa quando realizamos a expiração e o diafragma sobe empurrando o pulmão e o abdomem se contrae.
Mas quase todas as pessoas, no seu dia a dia, realizam uma respiração curta, superficial, com pouca movimentação do diafragma e uma expansão apenas da parte superior do pulmão e com isso uma pequena quantidade de ar é inspirado. É o que chamamos de respiração de sobrevivência onde é absorvido um mínimo de O2 só para manter a vida mas não contribuindo para uma boa saúde. Também não havendo uma expiração completa, profunda, o CO2 e a poluição do ar não serão expelidas totalmente, acumulando-se na base dos pulmões. Daí a freqüência de doenças pulmonares e problemas respiratórios.
Para se ter oxigênio bastante para o uso do cérebro e de todos as funções de nosso corpo, e gozarmos de boa saúde é necessário que realizemos respirações profundas, isto é, inspiração plena com preenchimento de todo o pulmão, expiração plena com expulsão de todo o ar e CO2 dos pulmões.
Se a nossa vida agitada, nosso estresse e ansiedade não nos permite respirar corretamente e plenamente o dia inteiro, façamos pelo menos todas as manhãs um bom exercício respiratório, e se pudermos fazer pelo menos 4 ou 5 respirações profundas durante o dia, e principalmente ao retornarmos à noite à nossa casa, para purificarmos nossos pulmões da poluição respirada nas ruas e assim melhorando nossa saúde.
Há milênios os sábios antigos do Egito e da Índia já conheciam e estudavam a importância da respiração. A velha civilização chinesa já adotava exercícios respiratórios para a cura de várias doenças.
Tendo observado que o canto provoca o movimento pulmonar de respiração plena, Plutarco e Célio Aurélio o recomendavam para cura de gripes, resfriados e doenças pulmonares.
Então além dos exercícios respira-tórios, cantemos ( nem que seja no chuveiro) porque o canto além de ajudar a respiração plena, é um bálsamo para a alma, nos alegrando a vida. Quem canta seus males espanta...
Heloísa Nardi é Química graduada pela USP,
pesquisadora de terapias naturalistas e
métodos de cura.