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A Linha do Conhecimento

O Guru olhou à volta procurando seus discípulos sentados na clareira; alguns estavam memorizando textos, outros copiando-os, todos concentrados em suas tarefas - todos menos um. Como de costume, os olhos do menino tinham se desviado e estavam seguindo uma borboleta de vívido colorido que pairava e adejava sobre as flores à beira da floresta. Com um suspiro, o Mestre pediu ao garoto para se aproximar - não pela primeira vez! “Hoje", ele pensou, "deverei ser realmente severo; esse menino deve compreender que tem obrigação de estudar e não levar uma vida ociosa."
Você pode repetir o verso para mim? - pediu.
A criança apenas abaixou a cabeça. É claro que não podia.
Então leia-o para mim!
Porém, mesmo isso era muito para o garoto; ele tropeçava e hesitava e finalmente desistiu.
Tenho sido bastante paciente - disse o Mestre com raiva. Hoje você tem que ser punido, e amanhã e depois também, até aprender a ler e recitar este simples verso. Estenda a mão!
Sabendo o que ia acontecer, o menino, relutante, estendeu a pequenina palma de sua mão quando o Mestre levantou o bastão, mas repentinamente o abaixou. Depois de um momento, falou com compaixão.
Vá embora, menino, não é sua culpa que não possa estudar. A linha do conhecimento não está na sua mão.
Nisso, a expressão do rosto da criança mudou.
É verdade, senhor? Não há linha do conhecimento na minha mão? Oh, mostre-me, por favor, onde esta linha deveria estar!
O Mestre sorriu por esse interesse súbito do menino e mostrou-lhe a linha em sua própria mão. Antes que ele compreendesse o que estava acontecendo, o garoto apanhou uma faquinha para apontar lápis, que estava ao lado do Mestre e riscou a linha profundamente na sua palma. Fechando a mão com força para estancar o sangue, ele disse:
Olhe, eu fiz a linha. E prometo-lhe, senhor, que no futuro estudarei duro para que não fique mais envergonhado, disse o discípulo.
O velho Mestre ficou comovido pelo ardor da resolução do menino, e abençoou-o dizendo:
Com tanta coragem e determinação, certamente você se tornará um excelente professor.
E de fato aconteceu. Esse menino tornou-se conhecido como Panine, o renomado gramático, e até os dias de hoje seu trabalho ainda ajuda os estudantes de sânscrito, mesmo mais de dois mil anos após sua morte.


Fonte - Fábulas e Lendas da Índia - Ed. Shakti
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