Cultura Africana
Ori - A centelha divina no homem |
Na cultura africana temos rituais que louvam o orisa Ori, que também é chamado de consciência, anjo da guarda ou centelha divina que habita no interior de cada um.
Através de estudos científicos das culturas pré-históricas foi constatado que viemos todos da Mãe África, mais precisamente da cidade de Ile Ifé, o berço do mundo, sendo assim somos todos filhos descendentes da África.
Conta o Itan Ifá, como foi descrito no artigo anterior sobre os Odus, que fala sobre o equilíbrio da natureza e de como o homem pode viver neste mundo (artigo disponível em nosso site), e que ao ser criado, Ori foi designado a ajudar o ser humano em sua evolução espiritual, caso contrário, ficaríamos presos ao ciclo de vida dos animais irracionais, sem ter consciência da própria existência, sem a fala, sem o raciocínio, sem a evolução de buscar chegar até o criador.
Orisa Ori se prontificou em ficar no centro de Oçu, ou seja no centro da cabeça, sob os neurônios do ser humano, para equilibrar suas ações entre o raciocínio e o espírito. Levou milhares e milhares de anos para que o homem percebesse seu poder evolutivo espiritual.
E essa evolução deve ter um único sentido, o sentido de voltar ao criador. Essa busca deve ser individual, sendo através do livre-arbítrio que os homens devem trilhar o caminho da espiritualidade.
Assim como a "carne" procura desenvolver-se atendendo suas necessidades, sua evolução foi mais rápida, sua força exerce um domínio três vezes maior do que o espírito. O comportamento humano ligado ao seu espírito é 99% mais fraco do que a carne.
Por isso vemos o grande desequilíbrio nos relacionamentos das pessoas, pois o egoísmo, a individualidade, a dor, os prazeres e a distinção entre o bem e o mal são poderes da carne. O mal só está em si se você quiser, o bem só está em si se você quiser.
Se nos ligarmos ao poder do espírito, equilibraremos nossa existência, trazendo mais alegria, contentamento e proteção, podendo chegar à perfeição e melhor aproveitamento de nossa vida.
Ao nos ligarmos mais nos desejos da carne, teremos mais medo, mais egoísmo e orgulho, com maior tendência ao sofrimento do que aqueles que são espiritualizados.
Na cultura africana o despertar espiritual está ligado ao louvor à Ori, a centelha divina. Através dos tempos, com as civilizações da Atlântida, do Egito, Ásia, Índia, os seres foram evoluindo e se misturando, suas características físicas foram determinadas pelas condições climáticas e geográficas, resultando na diversidade observada nos habitantes do planeta. Embora tenhamos características físicas diferenciadas não possuímos raças distintas, observamos isto facilmente pelo elemento sangüíneo que é universal, a doação e transfusão de sangue pode ser realizada entre todos os seres humanos independente do que chamamos equivocadamente de "raça".
Explica-se a força de Ori moldando-se sobre o poder de cada área nos seres humanos e lembrando-os de voltar-se ao seu criador. Todos devem lembrar-se que mesmo não acreditando em Deus, há em suas vidas atos que os levam para mais longe da paz de espírito ou mais perto, a sua consciência é que vai conduzi-lo a felicidade ou desgraça.
Aquele que só levar em conta seu desenvolvimento material e relegar seu lado espiritual, a força de Ori, jamais poderá alcançar o contentamento nesta vida. A insatisfação constante, o vazio interior revela a falta de vida espiritual no ser humano.
Por isso nós, da cultura Afro louvamos orisa Ori, pois a elevação espiritual pode nos trazer o bem-estar no mundo.
Agradeço ao orisa Ogum e ao Pai Paulinho a oportunidade de compartilhar a sabedoria dos ancestrais, que é transmitida oralmente de geração em geração desde o início do mundo.
BABA MI OGUM OBALONAN FU MI
Pai Paulinho de Ogum é sacerdote da tradição africana.
Informações e agendamento de consultas: (15) 3221.9145