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Auto Estima e Aprendizagem

Quando falamos em educação, logo vem à relação ensino-aprendizagem na conversa. Sem dúvida importante, essa relação está nos manuais de formação de professores, porém, um outro aspecto que deve urgentemente! ser discutido é o conhecimento.
De maneira bem simples, podemos dizer que conhecer é saber o que é, ou dito de outra maneira, uma relação que fazem os de conformidade, de semelhança, de adequação, entre o espírito e o mundo, ou ainda, como quer o jargão científico, entre sujeito e objeto.
Penso que, separando o conhecimento da verdade, conseguimos avançar bastante. Assim, a verdade é o que é ou o que corresponde exatamente ao que é, sendo o segundo, a verdade do conhecimento. Tudo isso implica que o conhecimento não é A verdade, mas temos, todavia, uma verdade do conhecimento. Caso não fosse dessa maneira teríamos: o dogma e certa-mente, a impossibilidade do conhecimento.
Todo conhecimento é histórico, datado. Os grandes filósofos e pensadores respondiam as (também) grandes questões de seu tempo. É nosso exercício de interpretação e nosso "recorte" o que possibilitam aplicar o conhecimento acumulado em tantos séculos de história.
Debatendo tal tema com uma classe iniciante de licenciatura em Letras, portanto, futuros professores de português, tive a oportunidade de refletir sobre uma experiência concreta, descrita por uma aluna-professora. Em sua classe do Ensino Fundamental Fase 1 os alunos dizem não saber o(s) motivo(s) de estarem na escola, não se importam com as avaliações dizendo que sabem que “não vão repetir o ano” graças 'a progressão continuada. Quando a professora vai repreender, o aluno rebate com um “não encoste em mim, senão te processo”. A situação mostra-se crítica, não existindo uma resposta ou mesmo ações que se possam generalizar para: de um lado alunos “desinteressados” e do outro professores inconformados.
Durante alguns dias fiquei tentando chegar em uma conclusão, parcial sem dúvida. Não consigo concordar com análise somente negativa; em minha concepção a análise aborda os pontos positivos e negativos, sob pena de não ser análise. Esta parecia ter apenas o negativo...
Mas o positivo apareceu!
Apesar de tudo, os alunos estão lá, mesmo não sabendo os motivos. Diretamente isso implicou, em meu pensamento, em baixa auto-estima. Mas qual era a implicação? Não parecia haver ligação nenhuma.
Acredito que, se o aluno está na esco-la, está buscando algo. O comportamento das crianças, descrito pela aluna-professora mostra uma man-eira de defesa, pois para o aluno que consegue a menção mais alta, a progressão continuada é indiferente ou até motivo de crítica. Quando o aluno fala que vai processar o professor ele está demonstrando conhecimento de seus direitos, o que é muito bom.
Aqui as coisas se juntam. Conhecendo seus direitos os alunos podem manifestar suas posições. E as manifestam com segurança. Será que não está na hora de revermos que conhecimento realmente interessa ao aluno. Normalmente, aquilo que não conhecemos também não nos interessa e não ficamos muito à vontade para discutir, muito menos para sermos avaliados. Não quero dizer que os professores não ensinam nada. Ensinam, ocorre que, quando a auto-estima está baixa, o desinteres-se chega primeiro, comprometendo a possibilidade do conhecimento.
O aluno afirmando que não sabe qual o motivo para estar na sala de aula é um indicativo, na minha reflexão, de que ele quer uma posição do professor, quer uma indicação de caminho(s). Os professores poderiam entender, não como uma afirmação, mas como uma pergunta. Dúvida séria de uma pessoa e não apenas uma provocação de aluno. Será que todos os professores tiveram certezas sempre de suas carreiras? Nunca questionaram o que estavam fazendo nessa ou naquela ocasião em uma escola, seja como alunos ou professores?
Essa fé inabalável que alunos e professores, cada um de seu lado, professa em relação ao ensino (e a aprendizagem) poderia ser trocada pela busca do conhecimento. Conhecimento que traz uma linguagem de segurança e nos faz participar com responsabilidade do mundo...
De um mundo melhor.


Paulo Celso da Silva - Professor Universitário
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